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CAMPO - Centro de Assessoria ao Movimento Popular                                                                                                                       Desde 1987
Opinião do Campo

Aborto, ação Ilusória

O Campo repudia a declaração do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, de que a legalização do aborto ajudaria a combater a criminalidade e de que a Rocinha é uma fábrica de marginais. O aborto não deve ser encarado como uma forma de controle de natalidade e da marginalidade ou como instrumento de política demográfica, de saneamento ou de eugenia, mas sim como uma questão de saúde pública. Ao realizar um aborto, prática ilegal no Brasil, muitas mulheres sem assistência morrem, enquanto as que têm recursos procuram clínicas com médicos que não honram seu registro profissional. No Brasil, o aborto é a quarta causa de mortalidade materna, estatística que ajuda a reforçar a desigualdade social. A criminalidade não será combatida ou erradicada com a legalização de uma outra prática igualmente violenta, o aborto.
O controle de natalidade deve ser feito através de Política Públicas, na área de Educação e Saúde. Uma Política Educacional e de Saúde eficientes são as melhores formas de se evitar uma gravidez indesejada. Já a violência é combatida com uma eficiente Política de Segurança Pública, usando-se muito mais de estratégias de inteligência do que o confronto direto, baseado em uma política de segurança militarizada. Esta opção do governo atinge diretamente os mais pobres e excluídos, que não necessitam de tiros, mas de políticas e serviços públicos eficientes e competentes. A criminalidade não está restrita às comunidades, ela permeia todas as camadas sociais. O que acontece em nosso país é a diferenciação no tratamento dado aos criminosos das diferentes classes sociais.
Estudos comprovam que apenas 1% de moradores de comunidades de baixa renda tem algum envolvimento com tráfico de drogas e/ou a criminalidade. As comunidades são habitadas por 99% de moradores que trabalham honestamente, que como cidadãos iguais a todos os outros perante a Constituição Federal não merecem, também, ouvir a declaração do Secretário de Estado de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, que distinguiu uma bala perdida em Copacabana daquela no Complexo do Alemão ou na Favela da Coréia.