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Aborto, ação
Ilusória
O
Campo repudia a declaração do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral,
de que a legalização do aborto ajudaria a combater a criminalidade e de que
a Rocinha é uma fábrica de marginais. O aborto não deve ser encarado como
uma forma de controle de natalidade e da marginalidade ou como instrumento
de política demográfica, de saneamento ou de eugenia, mas sim como uma
questão de saúde pública. Ao realizar um aborto, prática ilegal no Brasil,
muitas mulheres sem assistência morrem, enquanto as que têm recursos
procuram clínicas com médicos que não honram seu registro profissional. No
Brasil, o aborto é a quarta causa de mortalidade materna, estatística que
ajuda a reforçar a desigualdade social. A criminalidade não será combatida
ou erradicada com a legalização de uma outra prática igualmente violenta, o
aborto.
O controle de natalidade deve ser feito através de Política Públicas, na
área de Educação e Saúde. Uma Política Educacional e de Saúde eficientes são
as melhores formas de se evitar uma gravidez indesejada. Já a violência é
combatida com uma eficiente Política de Segurança Pública, usando-se muito
mais de estratégias de inteligência do que o confronto direto, baseado em
uma política de segurança militarizada. Esta opção do governo atinge
diretamente os mais pobres e excluídos, que não necessitam de tiros, mas de
políticas e serviços públicos eficientes e competentes. A criminalidade não
está restrita às comunidades, ela permeia todas as camadas sociais. O que
acontece em nosso país é a diferenciação no tratamento dado aos criminosos
das diferentes classes sociais.
Estudos comprovam que apenas 1% de moradores de comunidades de baixa renda
tem algum envolvimento com tráfico de drogas e/ou a criminalidade. As
comunidades são habitadas por 99% de moradores que trabalham honestamente,
que como cidadãos iguais a todos os outros perante a Constituição Federal
não merecem, também, ouvir a declaração do Secretário de Estado de Segurança
Pública, José Mariano Beltrame, que distinguiu uma bala perdida em
Copacabana daquela no Complexo do Alemão ou na Favela da Coréia.
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