A esperança no amanhã

Patrícia Fátima Ferreira, de 58 anos, viveu seis anos em situação de rua, entre os 16 e os 22 anos. E entre tantas incertezas do que comer, onde dormir, se estaria viva ou não no dia seguinte, a higienização básica estava sempre no segundo plano. Naquele período, ela não tinha acesso à higiene básica e sequer aos absorventes descartáveis. Para lidar com a menstruação, recorria aos materiais improvisados, como jornal, papel higiênico, pano, papelão e plástico.
Anos depois, apenas no ano passado, encontrou no Empoderando o Ciclo a oportunidade de aprender sobre saúde menstrual, produção, empreendedorismo e, principalmente, conhecer o que é acolhimento de verdade. Aprender a produzir absorventes sustentáveis e conhecer novas possibilidades de geração de renda representa muito mais do que adquirir uma nova habilidade. Patrícia descobriu no projeto, gerido pelo Campo, conhecimentos que nunca estiveram ao seu alcance.
"Eu agradeço muito por estar nesse projeto, porque estou aprendendo tudo que eu não pude aprender quando estava na rua. Eu amo esse projeto, tanto que se eu não vier, eu passo mal. Aqui me faz bem", declarou Patrícia, que encontrou no espaço um lugar para estar, conviver e se sentir acolhida.
As aulas também despertaram nela um novo sentimento de esquecer as dores do passado e focar em um futuro de esperança para Patrícia e para outras mulheres.
“Eu aprendi a fazer o absorvente, tive aula de empreendedorismo, de como vender. Isso é bom para as pessoas da comunidade porque ajuda mais a gente. Agora eu estou aprendendo para poder ensinar para as pessoas sobre o que eu não sabia antes”, diz.
A trajetória de Patrícia mostra que promover autonomia também é devolver às pessoas o direito de conhecer, aprender e imaginar possibilidades que antes pareciam distantes.
















