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Acolher para transformar

Foto do escritor: Ana Flávia Nóbrega
Ana Flávia Nóbrega
1 de out.
3 min de leitura

Em uma sociedade, marcada por desigualdades, milhares de pessoas enfrentam, diariamente, situações de abandono, violência e exclusão. Idosos sem rede de apoio, mulheres vítimas de agressão, pessoas em situação de rua, famílias fragilizadas e jovens com poucas perspectivas de futuro convivem com desafios que limitam seus acessos a oportunidades e direitos.


É nesse contexto que o Campo desenvolve ações de acolhimento e reinserção social, oferecendo proteção, acompanhamento e suporte para a reconstrução de trajetórias de vida. A instituição faz a cogestão de abrigos e repúblicas voltadas para o acolhimento de pessoas idosas, crianças, mulheres, famílias, pessoas com deficiência, homens e jovens em busca de autonomia e de construírem uma nova fase em suas trajetórias.


Uma dessas histórias transformadas é a de Yuri Vasconcelos Ferreira, que chegou na República para Jovens Junior Heleno Barros de Antão, com receio de enfrentar a nova vida, mas com muitos sonhos.


“A República me ofereceu muitas coisas, principalmente o suporte para além da casa. O principal de tudo é a orientação que a gente recebe lá. Eu tomei ciência que precisava mudar de vida, tentar dar a volta por cima, melhorar, conseguir trabalhar. Essa orientação mudou a forma como penso e mudou tudo", relatou Yuri.


As repúblicas oferecem moradia temporária para jovens que estavam em situação de acolhimento institucional ou familiar e atingiram a maioridade sem que tivessem sido adotados. O objetivo do espaço de acolhimento é oferecer proteção, um lugar seguro, dar orientação e promover autonomia para que os jovens possam estudar, se estruturar e aprender a gerir suas vidas. Foi a partir daí, com o suporte recebido, que os caminhos se abriraram. O jovem Yuri encontrou apoio para construir novos caminhos e ser protagonista da própria vida. 


Yuri conseguiu um emprego, deixou a República e seguiu em direção à própria autonomia. Hoje, além de estar trabalhando, ele tem casa própria, uma conquista que representa uma nova etapa na sua vida.


A trajetória de Yuri traduz, na prática, o significado da reinserção social: criar condições para que jovens possam conquistar autonomia, construir seus próprios caminhos e transformar perspectivas em realizações concretas. Como ele, muitos outros jovens sonham com isso.


Sthefany Augusto Salinas (foto), acolhida da República Elza Soares, inaugurada em 2025, sonha com um futuro assim. A maioridade recente a levou para o acolhimento na instituição e, além das malas, ela trouxe o sonho de construir um futuro melhor. Aluna do 3° ano do ensino médio, antes acolhida em uma instituição, ela diz estar se adaptando à nova fase e pensando no amanhã.


“No começo, quando completei 18 anos, fiquei com muito medo. Agora, estou me acostumando. Estou estudando, vou começar um processo seletivo no programa de Jovem Aprendiz. Está sendo aos poucos”, relatou. 


Mais do que oferecer assistência, os projetos criam ambientes seguros e acolhedores que fortalecem vínculos, promovem a inclusão social estimulam o desenvolvimento de habilidades, oferecendo novas perspectivas.


Além das Repúblicas, o Campo mantém a cogestão de outros espaços onde acolher é sinônimo de transformação. Como as Unidades de Reinserção Social (URS’s).  


A bacharel em Direito, Ângela Mendes, de 70 anos é uma das acolhidas na URS Nilda Ney. Após perder inúmeros familiares para o câncer, ela encontrou apoio para si no abrigo localizado em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. “Cuidei de vários parentes a vida toda e fui perdendo um por um para o câncer. Hoje, aqui, eu encontrei um suporte. Aqui tem amor, carinho. Bom demais", descreveu.

  

As ações desenvolvidas mostram que o ato de acolher vai além da proteção imediata. Significa criar oportunidades para que pessoas historicamente invisibilizadas reconstruam suas histórias, fortaleçam sua autonomia e se reconheçam como protagonistas.

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